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Situações ou queixas mais frequentes

A criança, sobretudo quanto mais pequena for, queixa-se mostrando o seu mal-estar, através do corpo (queixas físicas) ou do seu comportamento.

Alguns dos seus comportamentos que pareçam inquietantes ou “fora do lugar”, podem ser passageiros, “normais” ou até positivos, para a fase do desenvolvimento ou as circunstâncias em que se encontra.

Outros, pelo contrário, podem arrastar-se no tempo e tornar-se mais resistentes, constituindo entraves ao processo de desenvolvimento, que vão limitar as possibilidades actuais da criança e impedir as novas aquisições do crescimento.

Para além dos sinais que habitualmente mais despertam a atenção, como as dificuldades escolares ou as alterações de comportamento, existem outros, cuja presença pode indicar, dependendo de vários factores, a existência de conflitos internos mais profundos.

Alguns dos quais podem ser aqueles que se seguem:

 

Entre os 3 e os 6 anos (entrada para o jardim de infância)

  • Dificuldades alimentares, como recusa em comer
  • Problemas no sono, como dificuldade em adormecer, medo de ficar só, sono agitado
  • Dificuldades na adaptação escolar, resistência em ir à escola, em separar-se dos pais
  • Isolamento social, pouca autonomia, desinteresse por brincadeiras novas
  • Atraso na linguagem, dificuldades na articulação das palavras, gaguês
  • Instabilidade motora, grande agitação, teimosia e birras frequentes
  • Comportamentos agressivos frequentes, como morder ou arranhar, partir coisas
  • Comportamento demasiado dócil e passivo, podendo mostrar insegurança, apatia
  • Queixas físicas como dores de barriga, problemas respiratórios, de pele, outros

 

Entre os 7 e os 12 anos (entrada para primeiro e segundo ciclo)

  • Dificuldades alimentares, como resistência em comer, apetites excessivos, obesidade
  • Problemas no sono, como dificuldades em adormecer ou manter o sono, pesadelos
  • Dificuldades na adaptação escolar, dificuldades de aprendizagem, de concentração
  • Comportamentos agressivos como destruir objectos, indisciplina na aula
  • Isolamento em relação aos outros, timidez, evitamento
  • Desinteresse frequente, aborrecimento, desistência, choro fácil
  • Necessidade habitual de ajuda, para vestir, comer, ou fazer os trabalhos de casa
  • Comportamento demasiado dócil, procura constante de agradar os adultos
  • Medos excessivos, de animais, de ir à escola, de adormecer, de estranhos, ou outros
  • Sentimento de apreensão quanto ao futuro, por medo de doenças, acidentes, outros
  • Queixas físicas persistentes, como palpitações, falta de ar, dores, suores, ou outras
  • Dificuldades no controlo da urina ou das fezes

 

O Acompanhamento Psicológico e a Psicoterapia com a criança

Consistem numa aliança de crescimento que parte do envolvimento de três partes: pais, o(a) seu filho(a), e o psicoterapeuta, para ajudar a criança a retomar o seu processo de desenvolvimento, fortalecendo as suas capacidades de se relacionar e de aprender.  

Ao lado dos pais, com as suas ideias, preocupações e possíveis soluções, o acompanhamento psicológico e a psicoterapia são como uma história/relação nova que se pode escrever/construir, com palavras, pelo jogo ou pelo desenho, com o objectivo de resolver impasses ou retrocessos.

Nesta nova história, todas as personagens do seu “mundo de dentro” têm a liberdade de participar, com os seus medos, as suas zangas ou outras dificuldades, as quais serão compreendidas e transformadas, até que outras apareçam em seu lugar, mais fortes e amigáveis, mais perto do lado bom de crescer.

A primeira consulta é sempre com os pais, seguindo-se um momento de avaliação breve com a criança, o qual vai possibilitar definir uma proposta de intervenção, que pode envolver, ou não, o início de uma psicoterapia.

 

A Avaliação psicológica

A avaliação psicológica tem como finalidade específica o diagnóstico e a compreensão dos sintomas ou queixas actuais da criança, na relação com a sua dinâmica familiar e relacional, e as características do seu desenvolvimento emocional e cognitivo.

Este estudo aprofundado dos principais aspectos do desenvolvimento e do funcionamento psicológico da criança, realiza-se de um modo independente a um processo de psicoterapia.

Consiste num número limitado de consultas, que integram a entrevista clínica e a aplicação de provas psicológicas, terminando com a devolução dos resultados, que consoante a finalidade e o pedido inicial - de professores e/ou educadores, do pediatra, ou outros - poderá ser acompanhada da entrega de um relatório.