Situações ou queixas mais frequentes
Como último período das grandes transformações internas, a adolescência pode ser um tempo privilegiado de crescimento e de mudança, do encontro de novos equilíbrios e possibilidades, de entre as quais a de poder “ser” com mais força e autenticidade.
Porém, e pelo contrário, pode ser também tempo das grandes “crises”, onde dificuldades internas que já existiam se consolidam, surgindo como impasses ou paragens no processo de desenvolvimento, que ao persistirem, poderão formar a base dos futuros “problemas” do adulto.
Para falar do seu mal-estar e das suas dificuldades, o adolescente muitas vezes fica em silêncio, nem sempre porque assim o queira, mas porque parece não existirem palavras para comunicar o que é difícil de compreender, mas que se sente e é muito intenso.
Outras vezes, comunica-as através do comportamento, ou de outras queixas, entre as quais se destacam:
Entre os 13 e os 21 anos
- Dificuldades alimentares, como resistência em comer, apetites excessivos, obesidade
- Problemas no sono, como insónias, sonolência excessiva, pesadelos frequentes
- Ansiedades persistentes em torno da sexualidade, do corpo e da imagem corporal
- Problemas escolares, como de aprendizagem, de concentração, recusa da escola
- Comportamentos agressivos ou violentos repetitivos
- Mudanças emocionais súbitas, agitação, irritabilidade, impulsividade
- Sentimentos de inferioridade, inutilidade, vergonha; estados de desânimo, apatia
- Introversão, isolamento, evitamento de relações
- Comportamentos de conformismo constante, procura em agradar os adultos
- Medos e evitamento de pessoas, lugares, situações
- Pensamentos confusos, sentimentos de estranheza, desconfiança
- Ansiedade mais ou menos generalizada, sensações de pânico
- Queixas físicas comuns, como palpitações, falta de ar, dores, suores ou outras
- Abuso de substâncias, álcool, drogas
O Acompanhamento Psicológico e a Psicoterapia com o adolescente
O acompanhamento psicológico e a psicoterapia consistem numa nova relação de proximidade e confiança onde, sem os certos, os errados ou os “supostos” dos outros, se acolhe, reconhece e pode pensar sobre tudo o que acontece dentro de nós, que é difícil e que agora, (por enquanto) parece ser mais forte.
Depois de uma longa infância, onde tanto se esperou crescer e realizar futuras conquistas (ambições, independência, relações amorosas), uma identidade própria - capaz de “fazer as pazes” com as possíveis dificuldades do passado, e de seguir em frente, rumo aos desafios da idade adulta - é agora continuamente procurada.
Descobri-la, fortalecendo a capacidade de compreender e lidar com as ansiedades, os medos e as exigências que a estão a bloquear ou fazer recuar, aproveitando a força de todas as potencialidades “à espera” de serem descobertas e experimentadas, é tarefa “a dois” na relação terapêutica.
A Avaliação Psicológica
A avaliação psicológica tem como finalidade específica o diagnóstico e a compreensão dos sintomas ou queixas actuais do adolescente, na relação com a sua dinâmica familiar e relacional, e as características do seu desenvolvimento emocional e cognitivo.
Este estudo aprofundado dos principais aspectos do desenvolvimento e do funcionamento psicológico do adolescente, realiza-se de um modo independente a um processo de psicoterapia.
Consiste num número limitado de consultas, que integram a entrevista clínica e a aplicação de provas psicológicas, terminando com a devolução dos resultados, que consoante a finalidade e o pedido inicial - de professores e/ou educadores, médicos especialistas, ou outros - poderá ser acompanhada da entrega de um relatório.